Junho 20, 2018

Porque querem todos visitar Lisboa?

“O que se passa em Lisboa?” A questão colocada por um tailandês a Tyler Brûlé durante uma reunião em Banguecoque fez soltar novamente o nome de Lisboa para a ribalta. Desta vez num artigo de opinião do diretor da Monocle, para o Financial Times.
Neste artigo, Tyler Brûlé procura encontrar uma explicação que justifique o facto de tantos estrangeiros se mostrarem curiosos em relação à capital portuguesa e serem também muitos os que acabam por decidir visitá-la ou mesmo decidem lá viver.

Para Tyler Brûlé, muitos justificam o fascínio em torno de Lisboa com argumentos como: a isenção de impostos sobre as pensões, o baixo custo de vida ou boom de hotéis que leva muitos a eleger a capital portuguesa para fins de semana prolongados. Mas para Brûlé há muito mais do que isso.

Tyler Brûlé diz que legiões de designers, diretores de produção e donos de marcas que já passaram semanas em fábricas pela Ásia estão agora a voar para o Porto e Lisboa em viagens diárias, ajudando a criar um frenesim em torno desses locais.

O diretor da Monocle argumenta que enquanto outros países gastaram fortunas tentando atrair “influenciadores” em viagens de imprensa para divulgar as melhores características e virtudes, Portugal teve a “boa sorte” de tal ter acontecido “organicamente”.”Um designer italiano aprecia um bom almoço em Lisboa após um dia numa fábrica, diz ao seu sócio, o sócio diz ao amigo que é editor de uma revista, e em breve há uma história brilhante sobre uma nova rua interessante em Lisboa ou um hotel para reservar em Lagos (no Algarve, não na Nigéria)”, diz no artigo publicado esta sexta-feira no Financial Times.

Tyler Brûlé diz ainda que o turismo se tornou um grande bónus, salientando a onda de empreendedores ou chefs que ajudaram a afastar a reputação de a comida portuguesa ser “pesada”, bem como a tradição do artesanato que se traduziu em hotéis que mostram o “bom design e trabalho cerâmico”.

Estar no limite da Europa é outro dos ingredientes que inclui na fórmula de sucesso de Portugal. “O estatuto de Lisboa e do Porto como cidades de ‘margem’ significou que tiveram que lutar um pouco mais para se fazerem notados, ao mesmo tempo que se deram ao luxo de olhar para a Europa em busca de oportunidades, ao invés de estarem no centro e sentirem-se complacentes”, acrescentou Tyler Brûlé neste artigo, publicado poucos dias depois de ter estado sentado junto ao MAAT, em Lisboa, a procurar respostas para as questões que já lhe colocaram a propósito do fascínio em torno da capital portuguesa.

 

Fonte: Eco

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