Janeiro 20, 2018

Julie Sargeant: “Campo de Ourique é sinónimo de casa. É aqui que vivo desde os seis anos.”

Tem 47 anos e pisa os palcos desde os nove. Filha e neta de atores, é uma cara conhecida dos portugueses. Em Campo de Ourique todos a conhecemos, porque foi aqui que cresceu e ainda hoje vive.

Sempre quis ser atriz ou, quando era pequena, sonhava ter outra profissão?
Não sei bem… acho que não pensava muito nisso. Mas cresci no teatro, por isso, para mim, ser atriz, foi uma decisão muito natural. Um caminho que foi acontecendo.

Quantos anos tinha quando fez o primeiro papel?
Tinha nove! Foi em «Os Maias», para a RTP. Precisavam de uma menina da minha idade, com um ar inglês e que falasse inglês, para fazer a Rosa, a filha da Maria Eduarda.

Teve de fazer «casting»?
Não! Por um lado, não era fácil encontrar meninas com aquelas caraterísticas e, depois, naquela altura, as crianças não faziam «castings» e não havia stresse. Lembro-me que me disseram: «Senta-te aí. Agora levanta-te e vai buscar aquele copo de água». Foi assim, o meu «casting».

E depois? Ficou muito tempo sem fazer nada?
Não, não! Pouco depois entrei numa série do Luís Filipe Costa que se chamava «Arco-Íris», a seguir, fiz um programa com o Badaró. Estava sempre a trabalhar. E, entretanto, houve a primeira época das novelas portuguesas, que começou com a «Vila Faia», onde não entrei, mas entrei na «Passerelle» e na «Cinzas». Pelo meio, fiz muitas peças de teatro, pouco cinema, porque não há cinema em Portugal.

E foi para o Brasil!
Pois fui! Fui para o Brasil porque estava a fazer a Bruxa no «Sítio do Pica-Pau Amarelo» cá e quiseram que eu fosse continuar lá. Foi assim que conheci o Cassiano, o meu marido, que é ator da Globo e acabei por ficar no Rio de Janeiro muito mais tempo do que tinha previsto. A minha filha Maria Rita ainda nasceu lá.

Foi por causa da sua filha que voltou a Portugal?
Sem dúvida. O Rio de Janeiro é uma cidade linda, fantástica, mas é muito, muito difícil viver lá. Enquanto a Maria Rita era pequenina, ainda foi possível. Mas quanto mais o tempo passava, mais percebíamos que tínhamos de voltar a Lisboa. Não se pode educar uma criança numa cidade onde os hospitais públicos não funcionam e onde as escolas públicas são péssimas. Os seguros de saúde, no Brasil, são caríssimos e as boas escolas também. Então, não fazia sentido continuar no Rio de Janeiro quando havia a possibilidade de morarmos em Lisboa, onde a saúde e a educação públicas são de boa qualidade e onde a nossa filha pode viver em segurança.

Quando diz Lisboa, diz Campo de Ourique…
Claro! Para mim, Campo de Ourique é sinónimo de casa. É aqui que vivo desde os seis anos. Nasci na Escócia e vivi lá os primeiros seis anos da minha vida, mas quando voltámos a Portugal, vim logo para Campo de Ourique, onde os meus avós já viviam. Passei aqui a minha infância e a minha adolescência. Quando eu era pequena vivíamos na Rua Coelho da Rocha e lembro-me de ir, com o meu irmão e os meus amigos, brincar para a sede do MDP/CDE, que era lá na rua, um palacete que tinha um jardim. Nós entrávamos pelo portão, que estava sempre aberto e íamos brincar para o jardim.

Ainda tem amigos em Campo de Ourique?
Tenho, vários. Confesso que, em miúda, não era lá muito bem-comportada. De maneira que… andei em todas as escolas do bairro! Fui fazendo amigos em todas elas e muitos deles, tal como eu, ainda hoje moram aqui.

O que é que a faz gostar tanto de Campo de Ourique?
Tudo! Gosto de conhecer as pessoas e as lojas. Gosto que me conheçam porque eu sou a Julie, que cresceu aqui, não porque sou atriz ou porque apareço na televisão, mas sim porque me viram crescer. Ainda há pessoas que se lembram dos meus avós… Campo de Ourique tem um acesso fácil, boas escolas, jardins. Só tenho pena que já não haja cinema! Tenho saudades do Europa, onde a minha avó nos levava, a mim e ao meu irmão. E também gostava que houvesse mais vida cultural no bairro.

De que é que não gosto em Campo de Ourique?
Não há nada de que não goste, para dizer a verdade. Oiço as pessoas queixarem-se do trânsito e da falta de lugares de estacionamento, mas isso, a mim, até me dá vontade de rir. Depois de ter vivido no Rio de Janeiro, que é uma cidade com um trânsito de loucos e há pouquíssimos lugares para estacionar porque há entradas de garagem por todo o lado, acho Campo de Ourique um paraíso. Dentro do bairro ando sempre a pé e se tenho de ir mais longe, vou de transportes públicos ou de táxi.

Fonte: Boletim Informativo da Junta de Freguesia N.º 6 | JUL/AGO 2016

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