Dezembro 17, 2017

“Em Campo de Ourique há uma simbiose entre o antigo e o moderno que é muito interessante”

Miguel Ribeiro nasceu em Valpaços e começou a trabalhar no Porto, depois de acabar o curso de Jornalismo. Mas quando a SIC o convidou para a redação de Lisboa, veio logo morar para Campo de Ourique. Uma paixão que se mantém até hoje.

Há quantos anos vive em Campo de Ourique?

Miguel Ribeiro: Há 20. Quando cheguei a Lisboa, vim logo morar para cá.

Porque já conhecia ou bairro ou foi coincidência?

MR: Porque a minha namorada da altura morava aqui. E gostei logo muito do bairro. Eu sou transmontano, de Valpaços. Acho que, quando cheguei a Campo de Ourique, me senti em casa, como na minha terra. Depois, quando esse namoro acabou, fui viver para a Ajuda, mas só lá estive um ano e sempre com a ideia de voltar a Campo de Ourique. Voltei e nunca mais de cá saí. Acabei por casar com uma pessoa que também tinha família aqui e, ao longo dos anos, alguns amigos acabaram por também vir morar para cá e até os elementos dos «Happy Mass» vivem por aqui. Gosto deste bairro, não é preciso sair de cá para termos tudo aquilo de que precisamos.

Disse que nasceu em Valpaços, veio para Lisboa para a faculdade?

MR: Não, não! Tirei o curso de Jornalismo no Porto e comecei a trabalhar lá. Fiz estágios no «Semanário», no «Jornal de Notícias» e na SIC. Estive seis meses na redação da SIC, no Porto, e depois convidaram-me para vir para Lisboa, para a redação do programa «Praça Pública». Ainda voltei à redação do Porto, depois disso, mas acabei por vir definitivamente para Lisboa, um ano depois.

Sempre quis ser jornalista?

MR: Não, só decidi que queria ser jornalista por volta dos 16 anos. Até aí, as opções eram Direito ou História. Mas, por volta dos 16 anos, vivi muito intensamente a explosão das «rádios pirata» em Portugal. Fui fundador da Rádio Comercial de Valpaços. Primeiro só passávamos música mas, depois, começámos a retransmitir os noticiários da Rádio Nova, do Porto. O José Alberto Carvalho e a Anabela Mota Ribeiro gravavam os noticiários por telefone e aquilo começou a interessar-me cada vez mais. Depois, começámos a ter notícias sobre Valpaços e eu descobri que gostava muito de jornalismo e que era isso que queria fazer.

Mas foi a música que o levou para a rádio.

MR: Foi! Sempre gostei muito de música. Na minha adolescência, em Valpaços, eu e os meus amigos importávamos discos de Inglaterra e quando chegavam aqueles discos de vinyl ficávamos mais de uma semana às voltas da capa, a discutir todos os pormenores, a ver tudo. E a ouvir o disco novo, claro.

E já fazia música, nessa altura?

MR: Sim, por volta dos 15, 16 anos, comecei a aprender guitarra para poder fazer as músicas que tinha na cabeça.

Sente-se mais músico ou mais jornalista?

MR: As duas coisas. Sou jornalista 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas os «Happy Mass» também são muito importantes para mim. Quando estou nas coisas estou muito focado, por isso, os «Happy Mass», para mim, sempre foram um projeto para levar a sé- rio. E adoro a adrenalina de voltar a tocar ao vivo.

E têm um disco novo, não é?

MR: Sim. É um disco que nasceu aqui, em Campo de Ourique.

Voltando ao bairro de que gosta tanto. Há coisas de que, com certeza, não gosta…

MR: Não gosto do estacionamento, desta coisa de ser difícil pararmos o carro. Acho ótimo que o bairro tenha movimento, que venham pessoas de fora todos os dias. Dá vida ao bairro, é bom para os negó- cios. Mas há um parque de estacionamento que tem sempre lugares livres e que, para mais, até é barato. Mas, enfim…

E de que é que gosta no bairro?

MR: Acho que gosto de tudo o resto. Gosto muito desta simbiose entre o antigo e o moderno que aqui existe, é um dos aspetos mais interessantes. Temos lojas com várias décadas ao lado de lojas muito modernas e há lugar e clientes para todas e tudo faz sentido. E há tudo aquilo de que precisamos. É o meu bairro.

Fonte: Junta de Freguesia de Campo de Ourique

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