Janeiro 24, 2022

Alfredo Marceneiro homenageado com mural em Campo de Ourique

Alfredo Marceneiro ganha mural em Campo de Ourique

Alfredo Marceneiro, um dos grandes nomes do fado do século XX, nasceu e viveu toda a sua vida em Campo de Ourique. Para o homenagear, a Junta de Freguesia de Campo de Ourique encarregou a artista plástica Mariana Santos de o retratar num mural, o qual fica na Travessa de Santa Quitéria, local onde se situava a casa onde nasceu. Alfredo Rodrigo Duarte nasceu no dia 29 de Fevereiro de 1888 e viria a falecer  a 26 de Junho de 1982. Tomou contacto com o fado ao assistir às cegadas de rua. Conheceu então Júlio Janota que, além de participar nas cegadas, tinha o ofício de marceneiro e arranjou-lhe emprego como seu aprendiz numa oficina em Campo de Ourique.

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Alfredo Duarte começou por cantar Fados nos bailes populares que frequentava, entre os 14 e os 17 anos. É nesta altura, em 1908, que faz a sua estreia na cegada do poeta Henrique Lageosa, inspirada no argumento do filme mudo O Duque de Guise, onde interpreta o papel da amante do Duque. O nome artístico Alfredo Marceneiro  surge numa festa de homenagem aos cantadores Alfredo dos Santos Correeiro e José Bacalhau, como o próprio fadista conta: “Uma noite fui convidado por amigos que já me tinham ouvido cantar em paródias próprias da idade a ir ao Club Montanha (hoje Ritz). Dirigia a festa o poeta Manuel Soares e perguntou: ‘Quem é este rapazinho? Como se chama? Que ofício tem?’ Então, quando me apresentou ao público, esquecendo o meu apelido, anunciou: ‘Vai cantar a seguir o principiante Alfredo… Alfredo… Olhem não me ocorre o apelido. É Alfredo… Marceneiro…’. E ainda hoje sou o Alfredo Marceneiro”.

Alfredo Marceneiro nasceu e viveu toda a sua vida em Campo de Ourique.

As gravações discográficas da sua obra não são muitas, uma vez que não apreciava cantar senão nos locais que considerava próprios e com a presença do público. Assim, apesar de ter gravado o seu primeiro disco para a Casa Cardoso, em 1930, com os temas “Remorso” e “Natal do Criminoso”, passou logo depois a ser artista exclusivo da Valentim de Carvalho. Seguiram-se apenas quatro LP’s e três EP’s, o último, “Fabuloso Marceneiro”, gravado aos 70 anos.

Apesar da sua fama e sucesso crescente, mantém a profissão de marceneiro até à década de 1930 nas oficinas de Diamantino Tojal e, posteriormente, nas Construções Navais do Arsenal do Alfeite, que depois passaram a ser administradas pela C.U.F.. Só em 1946 se dedica exclusivamente ao Fado como profissional, conservando no entanto em casa o banco de marceneiro e as ferramentas com que se entretinha a fazer pequenos trabalhos, um dos quais “A Casa da Mariquinhas”, obra que merece especial relevo pelo cariz emblemático que assume para a própria História do Fado de Lisboa.

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Alfredo Marceneiro reforma-se em 1963, realizando-se a 25 de maio desse ano, no Teatro S. Luiz, a festa “A Madrugada do Fado – Consagração e despedida do Grande Artista Alfredo Duarte Marceneiro”.  A 23 de junho de 1980, numa cerimónia realizada no Teatro São Luiz, é-lhe entregue a “Medalha de Ouro de Mérito da Cidade de Lisboa”, pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Eng.º Krus Abecassis.

Postumamente foi-lhe atribuída a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, a 10 de Junho de 1984 pelo Presidente da República General Ramalho Eanes. A Câmara Municipal de Lisboa dá o seu nome a uma rua do Bairro de Chelas e, em 1991, foi comemorado o centenário do nascimento do fadista e entre outros eventos foi lançado o duplo álbum “O melhor de Alfredo Marceneiro” (EMI-Valentim de Carvalho) e foi exibido na RTP o documentário “Alfredo Marceneiro é só Fado”.

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Fonte: Museu do Fado

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