Dezembro 17, 2017

10 razões para se apaixonar por Campo de Ourique

“Campo de Ourique está na moda há 20 anos”, é o que costumo dizer quando amigos ou colegas falam-me do bairro. Sim, é verdade que nos últimos anos cresceu bastante. Mais lojas, mais restaurantes e pastelarias, mais pessoas novas.

Mas a essência do bairro é muito antiga e, para mim, essa é sair de casa e poder fazer tudo a pé, seja tomar o pequeno-almoço ou jantar, ir às compras ou ao banco, cortar o cabelo ou apenas passear pelas ruas cheias de vida que caraterizam a zona. E posso fazer tudo isto sem ter que repetir sempre os mesmos sítios. Há quantidade e qualidade, há espaços novos e velhos, e todos merecem uma visita.

E como se Campo de Ourique já não fosse interessante o suficiente, ainda temos a sorte de ter ao nosso lado o Jardim da Estrela ou o Centro Comercial das Amoreiras, só para “desenjoar” da freguesia. E sempre a pé.

Aqui ficam 10 razões para se apaixonar por Campo de Ourique.

1. Mercado de Campo de Ourique

Falar de Campo de Ourique sem mencionar o Mercado, é como discutir bola com os amigos e não falar daquele penalti que ficou por assinalar num jogo importante, ou seja, não faz sentido. Já comi em quase todas as tasquinhas do espaço, mas aquela que visito com mais frequência é a “Cortesia”: tem um entrecôte com molho especial, acompanhado de batata frita e salada, que corresponde sempre às expetativas.

2. Os hambúrgueres da Parada

Quando era puto, e ia almoçar às Amoreiras em dia de escola, o Jardim da Parada era para mim e para os meus amigos sinónimo de perigo e passávamos por ele sempre a correr. É que a proximidade com o Casal Ventoso tornava os “betinhos dos Salesianos” (andei no colégio Oficinas de São José da primária até ao 12º ano) alvos fáceis para serem assaltados por toxicodependentes. Mas desde então muita coisa mudou no bairro e uma delas foi o quiosque que fica no meio do jardim e que, desde 2012, acolhe a “Hamburgueria da Parada”. Depois de experimentarem estes hambúrgueres, é que vão perceber como os outros que andam a comer não são assim tão bons.

3. Sushi para todas as carteiras

Quando não era fã de sushi, qualquer restaurante servia e experimentei todos os que existem em Campo de Ourique. Depois, aprendi a apreciar sushi de qualidade e passei a ser mais exigente. Isto para dizer que há vários restaurantes no bairro, mas só um merece ser recomendado. O “Hikidashi – Taberna Japonesa” é mais caro que os outros todos, mas também é claramente melhor. Agnaldo Ferreira é um dos quatro sócios do restaurante e chef de cozinha japonesa há 16 anos. Começou em São Paulo e depois veio para Portugal, onde trabalhou cinco anos no restaurante Estado Líquido e quatro no Yakuza.

4. O Amoreiras está vivo e bem de saúde

Quando abriu ao público, em 1985, o Amoreiras tornou-se no melhor centro comercial de Lisboa. Com o aparecimento de outros, maiores e mais modernos, o espaço passou por algumas dificuldades e estava quase sempre vazio. Nos últimos anos, a tendência inverteu-se e é como se tivesse renascido das cinzas. Além disso, desde 2016 que tem uma nova atração: o Miradouro Amoreiras 360º fica na torre 1, no 18.º andar, e permite ter vista panorâmica para quase toda a cidade, a 174 metros de altura.

5. Roteiro de lojas para mamãs

O pior pesadelo para qualquer homem: passar uma manhã ou uma tarde inteira nas ruas de Campo de Ourique a percorrer todas as capelinhas, entenda-se, lojas vocacionadas para bebés e crianças. Deve ser assim que os homens analisam a situação, enquanto as namoradas/mulheres pensam como dá imenso jeito ter em meia dúzia de ruas tanta oferta variada, como a “Pó de Talco”, “BabyCool”, “Maria Gorda” e “Flexa”, só para citar as mais conhecidas.

6. Pequeno-almoço todos os dias num sítio diferente

Se há coisa que abunda em Campo de Ourique são pastelarias. Umas mais antigas, já com décadas de vida, outras recentes e igualmente boas. E há espaço para todas. Se tem por hábito tomar o pequeno-almoço fora de casa, então saiba que pode experimentar uma nova todos os dias. Só no Jardim da Parada, e arredores, tem “O meu Café”, a “Padaria do Bairro” e a “Pastelaria Lomar”, ou ainda as mais recentes “Trigo D’Aldeia” e “A Padaria Portuguesa”. Se preferir as históricas “A Tentadora” e o “Canas”, tem que ir até à Rua Ferreira Borges e Rua Saraiva de Carvalho, respetivamente.

7. O paraíso dos gulosos

Se está a fazer dieta não se aproxime de Campo de Ourique. É que no bairro encontra tanta tentação que dificilmente irá conseguir resistir: tem os pastéis de nata da “Pastelaria Aloma” (eleito o melhor de Lisboa em três ocasiões), não esquecendo “O melhor chocolate do mundo”, os bolos em formato XXL da “Pastelaria Top XXL”, ou ainda os bombons e línguas de gato de chocolate da “Arcádia”, entre muitas outras tentações.

8. A cultura não ocupa lugar

Há sempre alguma coisa a acontecer no bairro. Toldos os anos há eventos que aliam descontos nas lojas a desfiles de moda e concertos, além de outras atividades a pensar nos miúdos e graúdos. Ainda recentemente, Campo de Ourique recebeu a Feira do Livro de Poesia, um evento organizado pela Casa Fernando Pessoa, em parceria com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique.

9. O jardim das estrelas

Imagine que está no Jardim da Estrela, sentado a ler um livro ou a beber uma imperial, e passa à sua frente Eric Cantona. Sim, esse mesmo. O da gola levantada que ficou na história do Manchester United pelas melhores e piores razões.

10. É possível fazer tudo a pé

A essência do bairro é muito antiga e, para mim, essa é sair de casa e poder fazer tudo a pé, seja tomar o pequeno-almoço ou jantar, ir às compras ou ao banco, cortar o cabelo ou apenas passear pelas ruas cheias de vida que caraterizam a zona. E posso fazer tudo isto sem ter que repetir sempre os mesmos sítios. Há quantidade e qualidade, há espaços novos e velhos, e todos merecem uma visita.

Texto: João Cidra

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